22 de abr. de 2023

Os gráficos que mostram os paradoxos da expectativa de vida no Brasil

A expectativa de vida do brasileiro cresceu 40% nos últimos 60 anos. Mesmo assim, o país tem o segundo pior índice entre as dez maiores economias do mundo.

Em seis décadas, os brasileiros foram superados pelos chineses no tempo esperado de vida e seguem à frente apenas dos indianos — enquanto isso, a diferença em relação aos japoneses, líderes do ranking, supera os dez anos.

Em comparação com os vizinhos da América do Sul, o Brasil historicamente só tinha índices melhores que Bolívia e Peru.

Mas os números melhoraram a partir dos anos 1990 e se aproximam cada vez mais do que é observado em outras nações mais longevas da região, como Argentina, Chile e Uruguai.

Em suma, a expectativa de vida é indicador que avalia quantos anos um indivíduo que acaba de nascer deve viver se as condições econômicas, sociais, políticas e de saúde público permanecerem as mesmas dali em diante.

Ou seja: espera-se que um brasileiro que veio ao mundo no dia de hoje, diante de todos os fatores atuais, viva 74 anos, em média.

Esse limite pode subir ou cair, a depender de como a realidade e as políticas públicas mudem — para melhor ou para pior.

A seguir, você confere dois gráficos compilados pela BBC News Brasil a partir de dados do Banco Mundial e da Organização das Nações Unidas (ONU). Eles revelam algumas das principais contradições da expectativa de vida no país em comparação com a de outros locais com similaridades econômicas e geográficas.

Top 10 economias

Estados Unidos, China, Japão, Alemanha, Índia, Reino Unido, França, Itália, Brasil e Canadá formam hoje o grupo das dez maiores economias do mundo.

Quando o assunto é expectativa de vida, há assimetrias gritantes entre essas nações.

Segundo as estatísticas da ONU e do Banco Mundial, espera-se que um japonês viva em média 84,6 anos e um italiano chegue aos 82,3. Já um brasileiro alcança ao redor de 74 e um indiano os 70,1.

Falamos, portanto, de diferenças que superam uma década de vida de acordo com a nação onde um indivíduo nasce.

A figura se inverte quando analisamos a mudança relativa na expectativa de vida — ou quanto esses números subiram entre 1960 e 2020.

Nas nações historicamente mais ricas (Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Alemanha, França e Itália), esse crescimento fica abaixo dos 20%. A única exceção é o Japão, que ampliou o índice em 25% nas últimas seis décadas.

Já nos três países emergentes, essa aceleração é bem mais rápida: no Brasil, a expectativa de vida cresceu 40% nesse meio tempo. A porcentagem é ainda maior na Índia (55%) e na China (134%).

Para ter ideia, um chinês vivia 33,2 anos em 1960. Em 2020, essa média estava em 78 anos.

América do Sul

Ao longo das seis últimas décadas, Chile, Uruguai e Argentina mantiveram a dianteira da América do Sul quando o assunto é expectativa de vida.

Apesar de ser a maior economia da região, o Brasil sempre esteve nas últimas posições desse ranking, ao lado de Bolívia e Peru.

Para ter ideia, um argentino vivia uma média de 63,9 anos em 1960, enquanto o brasileiro só chegava até os 52,6 — uma diferença de 11 anos.

A situação começou a mudar de figura a partir dos anos 1990, quando essa disparidade em relação a alguns vizinhos sul-americanos começou a ficar cada vez menor.

Enquanto a expectativa de vida do Brasil subiu 5,3% na década de 1990, essa taxa se elevou em 2,7% na Argentina e 2,2% no Uruguai.

Mesmo assim, esses países ainda têm índices superiores: hoje em dia, espera-se que um argentino viva por 75,8 anos, enquanto um brasileiro chegue aos 74.


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